
Take Me: Rock, soul, power!
Há quase 10 anos, em 1999 para ser mais exato, numa visita à Vitória presenciei o ensaio de uma banda que fazia um som não muito comum no Brasil. Enquanto grande parte do underground nacional se enveredava pelo hardcore norte-americano (principalmente o californiano), o que eu vi/ouvi naquele quarto de apartamento se encaixava mais no post-hardcore de Hot Water Music, Texas Is The Reason, Sunny Day Real Estate e Jawbox. Voltei à capital paulista pensando naqueles garotos (da minha idade) que tinham formado o grupo um ano antes e que emergiam do punk, mas com ecletismo e influências tão improváveis.
O Take Me era, formado por Jean Dias (voz/guitarra), Jorge Fernandes (baixo) e Marcelo Buteri (bateria) e sua combustão de ritmos continua impressionando. Nessa quase década que se passou, junto dela outros músicos se uniram ao trio inicial e se foram (assim, como o idioma inglês) deixando de algum modo sua contribuição. Mas em 2003, foram os três que gravaram o elogiado “Bem-Vindo, Inverno”, lançado pelo selo carioca Manifesto Discos, trazendo 12 composições.
Entre os anos de 2006 e 2007, o Take Me cruzou diferentes estúdios e, sem pressa, foi registrando o amadurecimento de sua sonoridade. A banda esteve no Dourados, com Marcello “Índio” Cardoso (Mukeka di Rato, Dead Fish, Noção de Nada), no Casa da Floresta, com Ricardo Mendes, nos Estúdios de Felipe Gama e Leonardo Ramos (guitarrista que fez parte do disco, mas que seguiu seu rumo; depois de testes recentemente foi substituído por Vitor Zorzal) e no Tambor, com Rafael Ramos (Pitty, Los Hermanos, Cachorro Grande, Capital Inicial) e Jorge Guerreiro (mundo livre s/a, Matanza, Gabriel O Pensador). Da união desta caminhada com as novas e velhas referências, nasceu “A Divisão do Espaço”, mixado e masterizado pelos dois últimos produtores citados, no renomado estúdio carioca Tambor.
Os tempos são outros, os membros do Take Me viveram a época da fita-demo, depois a popularização do CD, assim como o crescimento do cenário independente e as mudanças do mercado fonográfico, então optaram por colocar o álbum inteiro para download gratuito na internet, inclusive com a arte gráfica (capa, encarte com as letras, fundo e rótulo do CD) assinada por Luciano Ramos, Gabriel Gianordoli e Werllen Castro. O gesto mostra mais que o desapego material (físico), mas denota a postura de quem acredita no que faz (e o faz por amor) e está mais interessado em mostrar seu som que ser a próxima “banda da vez”.
Nas 12 faixas, eles deixam claro que aqueles nomes do post-hardcore, que circundavam os ensaios no apartamento dos Buteri, continuam por aqui e ganham força ao lado de outros mais recentes, como Sparta, Taking Back Sunday e The Draft. “Trilhos e Vagões” inaugura o disco e a nova fase, trazendo uma pegada forte, riffs melódicos e uma lúcida melancolia. A seqüência, “Sua Evolução”, também é assim, porém acrescida de um paredão de guitarras, e “A Última Geleira” adota esta linha.
Seguindo os ensinamentos de Foo Fighters e Pearl Jam, o Take Me nunca teve receio de cruzar a fronteira do rock e soar levemente pop, bastando que a canção pedisse que assim fosse – como na ganchuda “Loja de Corpos”, na épica “Entardecer” e na bonita “Longe de Mim”.
Se tivesse uma grande gravadora por trás, “Seu Nome Aqui: ____” seria o hit pronto para tocar nas rádios, como um pop punk energético do Fall Out Boy, só que sem apelo visual. Outra que faria sucesso no dial seria “ES.te Lugar”, onde recebem Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, para um debate melódico existencial entre capixabas, usando a terra natal como metáfora. Não é fácil ter a tensão que o Deftones injeta nas canções, assim como a genialidade de um compositor como Page Hamilton (Helmet), mas o Take Me sabe dosar isso, vide: “Unilateral”, “Mais Outubro” e a apoteótica “O Erro do Certo”, que encerra o CD. “Próximo Round” espelha o conteúdo das letras, envolvendo reflexões pessoais e sentimentos sutis do dia-a-dia.
Os nomes de Jean Dias, Jorge Fernandes e Marcelo Buteri já estão marcados no cenário do rock capixaba, tendo conquistado através do Take Me e de outras bandas locais importantes que eles fizeram parte, como Kali Yuga, Dead Fish, Undertow, Crivo, [mono], Antemic e Os Pedrero. O novo membro, Vitor Zorzal, já acompanhou o Dead Fish em turnê e também faz parte do Auria e do Confeito da Mafalda.
Vale salientar, que o nome original do grupo era Take Me To The River, homônimo à canção de Al Green, mestre do soul. E ao ouvir “A Divisão do Espaço”, não seria ousadia traçar um paralelo e classificar a essência do Take Me, como rock soul power, afinal de contas são quatro caras tocando rock com – acima de tudo – alma!
Ricardo Tibiu
Julho/2008
Há quase 10 anos, em 1999 para ser mais exato, numa visita à Vitória presenciei o ensaio de uma banda que fazia um som não muito comum no Brasil. Enquanto grande parte do underground nacional se enveredava pelo hardcore norte-americano (principalmente o californiano), o que eu vi/ouvi naquele quarto de apartamento se encaixava mais no post-hardcore de Hot Water Music, Texas Is The Reason, Sunny Day Real Estate e Jawbox. Voltei à capital paulista pensando naqueles garotos (da minha idade) que tinham formado o grupo um ano antes e que emergiam do punk, mas com ecletismo e influências tão improváveis.
O Take Me era, formado por Jean Dias (voz/guitarra), Jorge Fernandes (baixo) e Marcelo Buteri (bateria) e sua combustão de ritmos continua impressionando. Nessa quase década que se passou, junto dela outros músicos se uniram ao trio inicial e se foram (assim, como o idioma inglês) deixando de algum modo sua contribuição. Mas em 2003, foram os três que gravaram o elogiado “Bem-Vindo, Inverno”, lançado pelo selo carioca Manifesto Discos, trazendo 12 composições.
Entre os anos de 2006 e 2007, o Take Me cruzou diferentes estúdios e, sem pressa, foi registrando o amadurecimento de sua sonoridade. A banda esteve no Dourados, com Marcello “Índio” Cardoso (Mukeka di Rato, Dead Fish, Noção de Nada), no Casa da Floresta, com Ricardo Mendes, nos Estúdios de Felipe Gama e Leonardo Ramos (guitarrista que fez parte do disco, mas que seguiu seu rumo; depois de testes recentemente foi substituído por Vitor Zorzal) e no Tambor, com Rafael Ramos (Pitty, Los Hermanos, Cachorro Grande, Capital Inicial) e Jorge Guerreiro (mundo livre s/a, Matanza, Gabriel O Pensador). Da união desta caminhada com as novas e velhas referências, nasceu “A Divisão do Espaço”, mixado e masterizado pelos dois últimos produtores citados, no renomado estúdio carioca Tambor.
Os tempos são outros, os membros do Take Me viveram a época da fita-demo, depois a popularização do CD, assim como o crescimento do cenário independente e as mudanças do mercado fonográfico, então optaram por colocar o álbum inteiro para download gratuito na internet, inclusive com a arte gráfica (capa, encarte com as letras, fundo e rótulo do CD) assinada por Luciano Ramos, Gabriel Gianordoli e Werllen Castro. O gesto mostra mais que o desapego material (físico), mas denota a postura de quem acredita no que faz (e o faz por amor) e está mais interessado em mostrar seu som que ser a próxima “banda da vez”.
Nas 12 faixas, eles deixam claro que aqueles nomes do post-hardcore, que circundavam os ensaios no apartamento dos Buteri, continuam por aqui e ganham força ao lado de outros mais recentes, como Sparta, Taking Back Sunday e The Draft. “Trilhos e Vagões” inaugura o disco e a nova fase, trazendo uma pegada forte, riffs melódicos e uma lúcida melancolia. A seqüência, “Sua Evolução”, também é assim, porém acrescida de um paredão de guitarras, e “A Última Geleira” adota esta linha.
Seguindo os ensinamentos de Foo Fighters e Pearl Jam, o Take Me nunca teve receio de cruzar a fronteira do rock e soar levemente pop, bastando que a canção pedisse que assim fosse – como na ganchuda “Loja de Corpos”, na épica “Entardecer” e na bonita “Longe de Mim”.
Se tivesse uma grande gravadora por trás, “Seu Nome Aqui: ____” seria o hit pronto para tocar nas rádios, como um pop punk energético do Fall Out Boy, só que sem apelo visual. Outra que faria sucesso no dial seria “ES.te Lugar”, onde recebem Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, para um debate melódico existencial entre capixabas, usando a terra natal como metáfora. Não é fácil ter a tensão que o Deftones injeta nas canções, assim como a genialidade de um compositor como Page Hamilton (Helmet), mas o Take Me sabe dosar isso, vide: “Unilateral”, “Mais Outubro” e a apoteótica “O Erro do Certo”, que encerra o CD. “Próximo Round” espelha o conteúdo das letras, envolvendo reflexões pessoais e sentimentos sutis do dia-a-dia.
Os nomes de Jean Dias, Jorge Fernandes e Marcelo Buteri já estão marcados no cenário do rock capixaba, tendo conquistado através do Take Me e de outras bandas locais importantes que eles fizeram parte, como Kali Yuga, Dead Fish, Undertow, Crivo, [mono], Antemic e Os Pedrero. O novo membro, Vitor Zorzal, já acompanhou o Dead Fish em turnê e também faz parte do Auria e do Confeito da Mafalda.
Vale salientar, que o nome original do grupo era Take Me To The River, homônimo à canção de Al Green, mestre do soul. E ao ouvir “A Divisão do Espaço”, não seria ousadia traçar um paralelo e classificar a essência do Take Me, como rock soul power, afinal de contas são quatro caras tocando rock com – acima de tudo – alma!
Ricardo Tibiu
Julho/2008
5 comentários:
Take me é foda! Com o novo guitarrista ficou melhor ainda!
heheh
=***
Gabi
Opa...Cheguei. Beijos. Ah! Antes que eu me esqueça: Buteri e Zorzal, próximo ensaio faremos uma 'vaquinha' pra Jeanzinho trocar TODOS os cabos do set dele.
jorginho , meu querido, o problema era o jack do meu pedal de afinação, e na outra vez, foi a sua toalhinha de bicha que tava perdurada no cabo do meu cabeçote e soltou o cabo!
Jean, é o didi mocó capixaba. não tem jeito...
Nesse release do Tibiu faltou citar os membros antigos... :o)
Marcelinho Urso Panda chegou depois. Cadê a menção a dois pilares do rock capixaba: Rominho e Gustavinho? Dois colossus em seus respectivos instrumentos e ourives da devassidão sonora. E a menção à sonoridade emo anos 90 com elementos de progressivo? Take Me To The River era o bicho. A triste nota era o vocalista andrógino, que não sabia se era homem ou mulher, que gemia lamentos desafinados de dor e angústia sexual. A melhor coisa que o Take Me fez foi defenestrar esse elemento pútrido e dúbio, sem dó nem piedade. Hoje em dia eu ouvi dizer que ele virou mendigo em algum canto da Europa e além de vender seu corpo para homens de meia idade está fazendo um som atonal e discordante com instrumentos artesanais e está inserido no esquema do canto gutural mongoliano e dodecafonismo. Porra, que loser ridículo. Tomara que ele pegue AIDS e tome uma overdose de tiro na cabeça.
Amo vocês, seus pulhas, patifes e biltres.
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